Agência de fotografia ou fotógrafo freelancer? Como escolher, e quando não vale a pena pagar mais
Há sessões de fotografia a 30€ e a 600€ ou mais, e as duas existem por uma razão. Quando um freelancer chega, quando compensa uma agência, de quem são as fotografias encomendadas, e o que perguntar antes de contratar.
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- Temas
- Fotografia
Guia
Portugal
Negócio - Escrito por
- Pedro Thomaz
- Disciplina
- Fotografia & Vídeo
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Há sessões de fotografia a 30€ e há sessões a 600€ ou mais, e as duas existem por uma razão. A pergunta útil não é qual é a mais barata, é qual resolve o problema que a empresa tem. Às vezes a resposta é um fotógrafo freelancer. Para coisas pequenas, quase sempre é. Este guia ajuda a perceber quando, e o que perguntar antes de contratar qualquer um.
Porque é que uma sessão custa 30€ e outra 600€
Numa plataforma de serviços encontras fotografia a preços que mal pagam a deslocação. Não é necessariamente mau trabalho: é outro trabalho. O que muda entre uma sessão e outra é o que está à volta do clique:
- preparação: perceber o que a fotografia tem de fazer, onde vai ser usada, e planear luz e locais;
- equipamento: iluminação, objetivas, fundos, e por vezes drone ou câmara 360°;
- pós-produção: seleção, cor consistente entre fotografias, retoque, e versões para web, redes sociais e impressão;
- direitos e responsabilidades: o que podes fazer com as fotografias, por quanto tempo, e quem responde se algo correr mal.
Para dar um número concreto: nunca fazemos uma sessão por menos de 600€, e isso cobre uma manhã de trabalho. Plataformas como a Zaask indicam, para fotografia empresarial, valores entre 130€ e 600€. São indicativos, mas mostram bem a amplitude do mercado.
Quando um freelancer chega, e é a melhor escolha
Sendo honestos: nem sempre vale a pena uma agência. Para coisas pequenas não é preciso. Um bom fotógrafo freelancer é a escolha certa quando:
- precisas de uma sessão pontual, como retratos da equipa para o site ou um evento pequeno;
- o trabalho é simples e repetível, como produtos num fundo branco;
- o orçamento é curto e não há uma campanha à volta;
- encontras alguém com portefólio no teu setor, perto de ti, e com um estilo de que gostas.
Nestes casos, pagar uma estrutura maior é pagar por coisas de que não vais precisar.
Quando compensa uma agência
Uma agência faz sentido quando a fotografia é uma peça de um trabalho maior:
- produção: equipa, iluminação de estúdio no local, produção de cena, várias localizações no mesmo dia;
- consistência: várias campanhas, ou vários pontos de venda, que têm de parecer da mesma marca ao longo de meses;
- vários formatos de uma vez: fotografia, vídeo, imagens aéreas e visitas 360° na mesma captação;
- ligação ao resto: as imagens entram no site, nas redes e nos materiais impressos já no formato certo, porque quem as fez sabe onde vão parar.
É o tipo de trabalho que fazemos para marcas automóveis, como nas sessões para a Porsche, a Mercedes-Benz e a Hyundai. Contamos o que isso exige em fotografia automóvel em Portugal.
A pergunta que quase ninguém faz: de quem são as fotografias?
Em Portugal, a regra geral do direito de autor dá os direitos a quem cria a obra. Na fotografia é ao contrário: segundo o artigo 165.º do Código do Direito de Autor, quando a fotografia é feita por encomenda ou num contrato de trabalho, presume-se que os direitos de a reproduzir e difundir são de quem a encomendou. É uma presunção: o contrato pode dizer outra coisa. O mesmo artigo prevê ainda que quem usa a fotografia para fins comerciais deve pagar ao autor uma remuneração equitativa, e o artigo 167.º manda indicar o nome do fotógrafo nos exemplares.
Na prática, a conclusão é simples: põe por escrito, antes da sessão, para que usos são as fotografias, durante quanto tempo, se podem ser editadas e se o crédito ao fotógrafo é obrigatório. Evita conversas difíceis daqui a dois anos, quando quiseres usar a fotografia num outdoor. Isto não é aconselhamento jurídico; para contratos grandes, fala com um advogado.
E quem aparece nas fotografias?
O Código Civil, no artigo 79.º, diz que o retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou vendido sem o seu consentimento, com algumas exceções, como imagens de locais públicos ou de acontecimentos públicos. Com colaboradores há um cuidado extra: a lei que executa o RGPD em Portugal limita o valor do consentimento dado por um trabalhador ao empregador. Para fotografias da equipa no site, a regra prudente é uma autorização escrita, específica e fácil de retirar, e nunca obrigar ninguém a aparecer.
Uma agência habituada a isto trata das autorizações de quem aparece. Num trabalho pequeno com um freelancer, combina antes quem fica responsável.
E o drone?
Imagens aéreas não são uma fotografia qualquer: há registo do operador, regras de voo e, conforme o equipamento, seguro obrigatório. Se o trabalho inclui drone, confirma que quem o faz está habilitado. Explicamos as regras em regras europeias para drones comerciais.
O que perguntar antes de contratar
Seja um freelancer ou uma agência, estas perguntas separam bem as propostas:
- Tem portefólio no meu setor?
- O que inclui o preço: quantas horas, quantas fotografias editadas, quantas revisões?
- Qual é o prazo de entrega?
- Para que usos posso usar as fotografias, e isso fica por escrito?
- Em que formatos entregam: web, redes sociais, impressão?
- Quem trata das autorizações das pessoas fotografadas?
- Se houver drone, quem voa está habilitado e tem seguro?
Se tens um trabalho de fotografia ou vídeo e queres saber se precisas mesmo de uma agência, fala connosco. Se for pequeno, dizemos-te.
Perguntas frequentes
Quanto custa um fotógrafo profissional para empresas?
Depende muito do trabalho. Há sessões a partir de 30€ em plataformas de serviços, e as plataformas indicam valores entre 130€ e 600€ para fotografia empresarial. Na Amplified, uma sessão começa nos 600€ e cobre uma manhã de trabalho.
Quem fica com os direitos das fotografias encomendadas?
Em Portugal, quando a fotografia é feita por encomenda, a lei presume que os direitos de a reproduzir e difundir são de quem a encomendou, salvo se o contrato disser outra coisa. Mesmo assim, convém pôr por escrito para que usos e durante quanto tempo.
Preciso de autorização dos colaboradores para pôr fotografias da equipa no site?
Sim. O retrato de uma pessoa não pode ser publicado sem o seu consentimento, e no caso de trabalhadores o consentimento dado ao empregador tem limites. Uma autorização escrita, específica e que a pessoa possa retirar é o caminho mais seguro.
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