A AMD compra a World Labs: o que os world models de IA significam para o 3D, a VR e os tours virtuais
A AMD vai pagar cerca de 8,2 mil milhões de dólares pela World Labs de Fei-Fei Li, a startup que transforma fotografias e texto em mundos 3D onde se pode andar. Porque é que um fabricante de chips a quer, e o que os mundos gerados podem e não podem substituir na captura 3D, na VR e nos tours 360°.
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- IA
World Models
Captura 3D
VR - Escrito por
- Pedro Thomaz
- Disciplina
- Sistemas de IA
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A 28 de setembro, a AMD anunciou que vai comprar a World Labs, a startup que Fei-Fei Li cofundou para criar IA que entende e gera mundos 3D. É um negócio em ações avaliado em cerca de 8,2 mil milhões de dólares, que deve fechar até ao fim de 2026, e Li passa a cientista-chefe da AMD. Um fabricante de chips a pagar tanto por um laboratório de modelos diz muito sobre onde a indústria acha que está a próxima vaga da computação. Fazemos tours 360°, capturas 3D e VR, por isso lemos isto com atenção.
O que a World Labs faz de facto
A World Labs foi fundada em 2024 por Fei-Fei Li, Justin Johnson, Ben Mildenhall e Christoph Lassner, e levantou uma ronda de mil milhões de dólares em fevereiro de 2026, com a AMD, a Autodesk e a NVIDIA entre os investidores. O produto é o Marble, um "world model": dás-lhe texto, uma ou várias fotografias, um vídeo ou até uma panorâmica 360°, e ele gera um lugar 3D onde podes andar, editar e exportar como Gaussian splats ou malhas para Unreal, Unity ou Blender. Corre no Quest 3 e no Vision Pro. Em setembro a empresa juntou-lhe o Atlas, que reconstrói cenas a partir de uma até dezenas de fotografias.
"World model" é um termo vago. A definição de trabalho da Google DeepMind é IA que simula parte do mundo o suficiente para prever como muda e como as ações o afetam (Genie 3). Os modelos de linguagem conhecem palavras. Os world models querem conhecer o espaço: distâncias, tamanhos, o que está atrás da porta.
Porque é que um fabricante de chips a quer
A razão que a AMD dá é que a robótica, a simulação e aquilo a que chama IA física tornam as necessidades de computação mais diversas, e ter um laboratório que faz estes modelos mostra-lhe como as cargas de trabalho estão a mudar, para desenhar chips para elas. A NVIDIA já tem os seus próprios world models, os Cosmos, pensados para robôs e carros autónomos. Li resumiu a aposta numa frase, no seu próprio texto: o universo não é feito de palavras, é feito de coisas reais.
O padrão é claro. O texto foi o primeiro campo de batalha da IA. O espaço é o seguinte, e o dinheiro está a ir atrás: robôs, simuladores e gémeos digitais precisam todos de software que entenda três dimensões.
O que significa para o 3D, a VR e os tours virtuais
Aqui podemos ser concretos, porque mundos gerados e mundos capturados resolvem problemas diferentes.
Os mundos gerados são ótimos para o que ainda não existe. Conceitos, ambientes, fundos, pré-visualização, o primeiro rascunho de um cenário de formação em VR, um showroom que ainda é um desenho. Transformar um esboço ou uma fotografia num espaço onde se anda em minutos muda a rapidez com que uma ideia chega a um cliente.
Os mundos capturados continuam a ser a única resposta para o que existe. Um imóvel, um museu, uma fábrica, um sítio histórico: aí, o que interessa é que o que vês seja verdade. As ferramentas generativas preenchem o que não veem com algo plausível. A própria World Labs o diz, ao descrever o Atlas como uma forma plausível de preencher as lacunas, e a DeepMind diz que o Genie 3 não consegue reproduzir lugares reais com exatidão perfeita. Plausível não chega para quem decide comprar um apartamento ou para um engenheiro a verificar uma válvula. E a resolução continua a contar: a exportação panorâmica do Marble é de 2560×1280, bem abaixo do que um tour 360° profissional usa. Escrevemos sobre porque é que esse detalhe decide tudo em o que funciona nos tours imobiliários.
Por isso, a nossa leitura, que é opinião: os dois vão encontrar-se a meio. Capturar bem o sítio real, e depois usar ferramentas generativas à volta, para prolongar uma cena, mobilar uma sala vazia ou construir as partes de um cenário de formação onde nenhuma câmara chegaria. Os estúdios que se vão dar bem são os que sabem que parte de um mundo tem de ser verdade e que parte só tem de parecer certa.
O que acompanhar
Ainda não se disse nada sobre o que acontece ao Marble, à sua API ou aos clientes sob a AMD, e o negócio ainda precisa de aprovação regulatória. O 3D generativo está a andar mais depressa do que as regras à volta dele, por isso confirma os direitos comerciais antes de usar um mundo gerado num trabalho para clientes. E mantém o teu processo de captura: quanto melhores os dados reais que tens, mais estas ferramentas conseguem fazer com eles.
Se estás a planear um tour virtual, um gémeo digital ou uma experiência VR e te perguntas onde entra o 3D gerado, fala connosco. Os nossos projetos 360° em Portugal mostram para que servem os mundos capturados.
Perguntas frequentes
O que é um world model de IA?
Um sistema de IA que constrói ou simula um ambiente 3D e consegue prever como ele muda, em vez de produzir só texto ou uma imagem plana. O Marble da World Labs, o Genie 3 da Google DeepMind e o Cosmos da NVIDIA são exemplos, cada um com usos diferentes.
A IA pode substituir um tour virtual 360° de um sítio real?
Não para mostrar um sítio real com verdade. As ferramentas generativas inventam o que não veem, por isso servem para conceitos e fundos. Para imóveis, património ou instalações industriais, a captura real continua a ser o que diz a verdade.
Quanto pagou a AMD pela World Labs?
Cerca de 8,2 mil milhões de dólares em ações da AMD, anunciados a 28 de setembro de 2026, com fecho previsto até ao fim do ano, sujeito a aprovação regulatória.
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