Um cartão de visita que é uma app
Trocámos os cartões de visita em papel por uma morada web por pessoa: um perfil, um cartão de bolso que o QR abre e uma app instalada que mostra o QR — mesmo sem rede. Sem loja de apps, sem NFC, sem nada para a outra pessoa instalar. Como funciona, e os pormenores que decidem se o telemóvel diz «Adicionar contacto».
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Engenharia web
Engenharia - Escrito por
- Pedro Thomaz
- Disciplina
- Webdesign & Engenharia
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Os cartões de visita em papel têm três problemas. Acabam precisamente quando precisas deles, a outra pessoa tem de escrever tudo à mão, e o único que fica guardado costuma estar desatualizado. As alternativas digitais habituais resolvem um problema e criam outro: uma app que a outra pessoa tem de instalar, um cartão NFC que alguns telemóveis leem e outros não, uma página de links que não é um contacto.
Por isso fizemos o nosso, em cima do site que já temos. Levou um dia. Eis como funciona — podes ver o meu em amplifiedcreations.com/equipa/pedro.
Uma morada, três vistas
Cada pessoa da equipa tem uma morada, e ela mostra coisas diferentes consoante quem está a olhar:
- O perfil é a página normal: nome, função, uma apresentação curta, uma fotografia, os contactos e umas linhas sobre o estúdio, com o mesmo desenho do resto do site. Num ecrã largo mostra também um código QR; num telemóvel, onde ninguém o vai ler, o QR desaparece e aparece no lugar dele um botão grande «Guardar contacto».
- O cartão é um passe de contacto compacto, feito para telemóvel. É para aqui que o QR aponta sempre, para quem o lê cair numa coisa pequena e útil, e não numa página para percorrer.
- A vista do dono é a mesma morada aberta como app instalada no meu telemóvel. Em vez dos meus contactos, mostra o código QR, grande, num ecrã escuro que não se apaga. Abro-a, viro o telemóvel e a outra pessoa lê.
A regra que liga as três: quem lê o QR nunca vê um QR.
Os pormenores que decidem se funciona
A maior parte do trabalho esteve em coisas pequenas, invisíveis quando estão certas e irritantes quando estão erradas.
- «Adicionar contacto», não «descarregar ficheiro». O contacto é um vCard, e os telemóveis só se oferecem para o juntar aos contactos se o servidor disser, com precisão, que é um. Um ficheiro
.vcfestático, servido com o tipo que o servidor adivinhar, muitas vezes só é descarregado. O nosso é gerado por uma rota que responde sempre comotext/vcard, com a fotografia incluída e as linhas longas dobradas como o formato pede. - WhatsApp, identificado. Alguns de nós preferem o WhatsApp às chamadas. O número entra no contacto identificado como WhatsApp, com uma ligação direta, e uma nota a dizer «Apenas WhatsApp · sem chamadas normais» — para ficar claro antes de alguém ligar.
- A fotografia nunca é cortada. Só redimensionada. Uma cara cortada ao meio por um quadrado automático é pior do que nenhuma fotografia.
- O ícone da app é sempre o nosso logótipo. Nunca a fotografia da pessoa. Um ecrã principal cheio de caras confunde; um com o nosso ponto não.
- Abre sem rede. As salas de reunião em caves e os pavilhões de feiras são onde se trocam cartões e onde a rede morre. A app instalada guarda uma cópia de si própria no telemóvel e recorre a ela quando não há ligação, por isso o QR abre sempre.
- Fala a tua língua. A página segue a língua do telemóvel que a lê — português ou inglês — com um botão para mudar. Decidimos isso no browser e não no servidor, para que uma cache não sirva a língua do primeiro visitante a toda a gente a seguir.
O que deixámos de fora de propósito
Nada de registar quem leu o quê. Nada de registos de conta. Nada para instalar do lado de quem recebe o cartão. As páginas são públicas mas ficam fora dos motores de busca, e os dados por trás delas — nome, função, email, número — são o que estaria impresso em papel de qualquer forma, guardados no CMS do site, separados de qualquer login.
Também não acrescentámos uma dependência para desenhar o código QR. São umas centenas de linhas de código nosso, e confirmámos que todos os tamanhos que produz se leem. Para uma coisa que vai estar à frente de cada cliente que conhecemos, menos peças é precisamente o objetivo.
Porque é que um estúdio se dá a este trabalho
Em parte porque é útil: já é a forma mais rápida que temos de dar os nossos contactos a alguém. Em parte porque é o tipo de coisa que fazemos para clientes — ferramentas pequenas que encaixam na forma como as pessoas já trabalham, em vez de lhes pedir que aprendam algo novo. A mesma abordagem serve uma equipa de vendas, uma clínica, um evento, qualquer sítio onde as pessoas se conhecem e precisam de ficar em contacto.
E em parte porque um cartão de visita é uma primeira impressão. Pareceu-nos certo que o nosso fosse uma coisa feita por nós.