5 MIN LEITURA · Pedro Thomaz

Mercedes silver across three light conditions

A cor da marca lê-se igual num telemóvel em São Paulo e num press kit em Estugarda só se construires uma pipeline de cor que sobreviva ao pôr-do-sol do Algarve, à manhã nublada de Lisboa e ao flash de estúdio. Eis a que usamos.
Mercedes silver across three light conditions

O briefing da Mercedes-Benz não era "corrigir a cor do silver da marca". Era: garantir que o silver se lê igual em todos os canais, em todos os dispositivos, em todas as impressões, durante um ano.

A segunda parte é o problema de engenharia. A primeira parte é um slider do Lightroom.

Três reinos de luz

A maioria da fotografia de produto vive num de três universos de luz: estúdio (controlado, repetível, dull), nublado natural (difuso, baixo contraste, amigo do crómio) e sol directo (alto contraste, especular, implacável com vermelhos de marca).

O silver da Mercedes — o spec real de Estugarda — tem uma gama específica de croma e lightness que se quebra de formas diferentes em cada reino. Flashes de estúdio achatam-no. Nuvens de Lisboa puxam-no para azul. Horas de Algarve depois do meio-dia empurram-no para warm pewter.

A stack de presets

Construímos três variantes de preset Lightroom — uma por reino — que convergem todas para o mesmo target RGB para a carroçaria. Mesmo RAW de origem. Três caminhos diferentes. Mesmo output.

Nenhuma destas é uma alteração extrema. Estão afinadas dentro da janela de cor aprovada pela marca. O ponto não é parecer igual — é ler-se igual num telemóvel em São Paulo e num press release em Estugarda.

Porque presets, não LUTs

LUTs bloqueiam-te. Quando um frame é cozido através de um LUT, a decisão de cor é final. Um preset Lightroom é um ponto de partida — o colorista pode mexer nas curvas no frame que pede tratamento diferente.

Para criativo de anúncio isto é overkill. Para uma marca que entrega em mercados diferentes é a única forma do trabalho sobreviver a uma janela de assets de 12 meses.

A parte honesta

Os presets não são o trabalho. O trabalho é o olho que decide quando um preset está errado e o frame precisa de tratamento diferente. Os presets apenas tiram o trabalho de chegar à mesma linha de partida todas as vezes.

Perguntas frequentes

Qual foi o briefing concreto da Mercedes-Benz?

O briefing era fazer com que o prateado da marca se lesse igual em todos os canais, dispositivos e impressão durante um ano — e não apenas corrigir a cor uma vez. Abordámos isto como três condições de luz distintas: estúdio controlado, luz natural difusa de céu encoberto e sol direto de alto contraste.

Porque é que o prateado da Mercedes se comporta de forma diferente em cada luz?

O prateado tem uma gama específica de croma e luminosidade que quebra de forma diferente consoante a luz. Os flashes de estúdio achatam-no, a luz encoberta de Lisboa desvia-o para o azul e o sol da tarde no Algarve empurra-o para um tom quente de peltre.

Como mantiveram o prateado consistente nas três condições?

Construímos três variantes de preset em Lightroom, uma por condição de luz, todas a convergir no mesmo alvo RGB para a carroçaria — o mesmo ficheiro RAW, três caminhos, o mesmo resultado. Cada variante aplica correções diferentes (por exemplo, neutralizar o magenta dos flashes em estúdio, aquecer e recuperar o desvio azul no céu encoberto e suavizar os reflexos especulares e neutralizar a dominante dourada no sol direto), mantendo-se sempre dentro da janela de cor aprovada pela marca.

Porquê usar presets em vez de LUTs?

As LUTs fixam a cor de forma final, prendendo-nos a um único resultado. Um preset é um ponto de partida que o cientista de cor pode ajustar fotograma a fotograma, pelo que o olho humano continua a decidir quando o resultado está errado — o preset apenas elimina o trabalho de chegar à mesma linha de partida.