5 MIN LEITURA · Pedro Thomaz

Porque continuamos a captar com Matterport em 2026

A fotogrametria ficou mais barata. Os gaussian splats ficaram em todo o lado. Continuámos a chegar à mesma Pro2 que usamos desde 2019 — eis a razão pouco romântica.

Porque continuamos a captar com Matterport em 2026

O espaço da captação 3D explodiu desde 2023. Polycam e Luma puseram fotogrametria no bolso de qualquer telemóvel. Gaussian splats produziram renders que se leem mais como memória do que como geometria. O RoomScan da Apple aterrou no iOS. Era suposto este campo fazer o Matterport parecer um fax.

Não fez. Não para o trabalho que fazemos. E a razão é pouco romântica.

Determinismo bate o wow

Um tour virtual para uma concessão Porsche não precisa de impressionar o engenheiro que o captou. Precisa de carregar num Samsung de 2021, integrar dentro de um iframe que ninguém escolheu, ser indexado pelo Google e ler-se igual daqui a três anos.

A stack do Matterport faz isso. O output é uma quantidade conhecida. O hosting é uma quantidade conhecida. O embed é uma quantidade conhecida. O modelo é propriedade, indexável, citável, e não desaparece quando uma startup pivota.

O fluxo competitivo

Sim, a fotogrametria produz geometria de maior resolução. Sim, os splats renderizam iluminação que o Matterport simplesmente não consegue. Usamos ambos. Mas não para o mesmo briefing.

Para uma sala de museu que tem de ser archive-grade e citável, ganha o Matterport. Para um único objecto hero que tem de ser visto com fidelidade de set de cinema, ganham os splats. Para um render de marketing de um espaço que ainda não existe, fotogrametria de mood + Unreal ganham aos dois.

O erro é escolher uma ferramenta pelo que é novo em vez do que o briefing pede.

O que estamos a observar

A câmara Genesis do Matterport é um salto na qualidade de geometria. O Scaniverse do Niantic está a tornar os splats em smartphone realmente usáveis. O primeiro produto a combinar hosting determinístico + qualidade de render de splat será uma revolução silenciosa. Trocamos no dia em que alguém entregar isso.

Até lá: a resposta pouco romântica é que ferramentas aborrecidas que entregam o briefing batem ferramentas excitantes que não entregam. Somos pagos para entregar o briefing.